...apesar das horas tardias e do atrasado da altura apeteceu-me mesmo deixar aqui esta lembrança...
sexta-feira, dezembro 26, 2008
segunda-feira, dezembro 22, 2008
led zeppelin - babe i'm gonna leave you
Babe, baby, baby, I'm Gonna Leave You
I said baby, you know I'm gonna leave you
I'll leave you when the summertime
Leave you when the summer comes a rolling'
Leave you when the summer comes along...
Babe, babe, babe, babe, babe, babe, Baby, baby, I won't wanna leave you
I ain't joking' woman, I got to ramble...Oh yeah,
Baby, baby, I won't be there
really got to ramble
I can hear it calling' me the way it used to do
I can hear it calling' me back home...
Babe oh baby, I won’t leave you know
Oh baby, you know I can hear it calling’ me you know
oh I can hear it calling' me
I can hear it calling' me the way it used to do, oh...
I know, I know, I know I never, never, never,
never, never, I’ll gonna leave you baby
But I got to go away from this place, I've got to quit
Ooh baby, baby, baby, baby,
Baby, baby, baby ooh...
Can you hear it calling' me?
Woman, woman, I know,
I know it's good to have you back again
And I know that one day baby, it's gonna really grow, yes it is
We gonna go walking' through the park every day...
What I say, every day. It’s really growing'...
It used to really, really good...
You made me happy at the simple day
but now I have got to go away
Baby, baby, baby
that’s when it's calling' me
oh...that’s when it's calling' me...back...home.
Brendan/Page/Plant in Led Zeppelin I, 1969
terça-feira, dezembro 16, 2008

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a gloria e a virtude.
Logo que a vida não me canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre.
Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam a alma?
Nada, salvo o desejo de indif'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis, 01/06/1916
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa a fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum.
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos dos filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis que os meus sentidos aprenderam sozinhos: -
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos (Athena n.º 4, Janeiro de 1925)
sexta-feira, novembro 14, 2008
sem pés nem cabeça
(...)Mscelânea para três,
E esta, só por paródia,
Vai sem cabeça nem pés.
Ó lua que vais tão alta
Ó minha mãe minha amada
Cabelo branco é saudade
Era já noite cerrada.
Cabelo branco é saudade
Era já noite cerrada.
Espinafres, rabanetes,
Tubarões e carapaus,
Fogo de vista, foguetes
E um cortejo de lacraus.
Os tempos estão muito maus,
Acende a luz na ribalta,
P'ra morrer já pouco falta,
Quem é que quer ler a sina?
Toma lá penicilina,
Ó lua que vais tão alta.
Toma lá penicilina,
Ó lua que vais tão alta.
Sou um poeta de fama,
Poeta das violetas,
Escrevo os meus versos à lã,
Inspiro-me nas valetas.
ninguém me faça caretas,
Ai que rica marmelada,
Tomates para a salada,
Os burros não são cavalos,
Dê-me pomada p'rós calos!
Ó minha mãe, minha amada.
Dê-me pomada p'rós calos!
Ó minha mãe, minha amada.
Três vezes nove vinte sete,
Ai que moças tão bonitas,
Vira a folha ao canivete,
Fá fitas muito esquisitas.
Mas que chusma de parasitas,
Anda aí pela cidade,
Sou maluco, isso é verdade,
Mas tenho aqui meia leca,
Na cabeça de um careca,
Cabelo branco é saudade.
Na cabeça de um careca,
Cabelo branco é saudade.
Andas no rigor da moda,
Ai que giro que isto é,
Sexta-feira é que anda à roda,
Quem me compra o burrié.
Dói-me o calcanhar do pé,
Os mudos não dizem nada,
Maria, traz cá a escada!
E um garrafão de aguardente,
Nascia o sol no poente,
Era já noite cerrada.
Nascia o sol no poente,
Era já noite cerrada.
Irmãos Catita in Mundo Catita, 2001
terça-feira, novembro 11, 2008

Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -
Um mar onde boiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não sei e sei-o bem.
Fernando Pessoa in Cancioneiro, 13/09/1933
terça-feira, junho 17, 2008
vento do espírito

Num torvelinho cósmico e profundo.
E me levou nos braços; e ansioso
Eu fui; e vi o Espírito do Mundo.
Todas as cousas ermas, que irradiam
Como um nocturno olhar inconsciente,
Luz de lágrima extinta, não sentiam
A trágica rajada, que somente
Meu coração crispava! Ó vento aéreo!
Vento de Exaltação e Profecia!
Vento que sopra, em ondas de mistério,
E tanto me perturba e me extasia!
Estranho vento, em fúria, sem tocar
Na mais tenrinha flor! E assim agita
Todo o meu ser, em chamas, a exalar
Luz de Deus, luz de amor, luz infinita!
Vento que só encontras resistência
Numa invisível sombra... Um arvoredo,
Ou pedra bruta, é como vaga essência;
E, para ti, eu sou como um penedo.
E na minha alma aflita, ó doido vento,
Bates de noite; e um burburinho forte
A envolve, arrasta e leva, num momento;
E vai de vida em vida e morte em morte.
Vento que me levou, nem sei por onde;
Mas sei que fui; e, ao pé de mim, bem perto,
Vi, face a face, a névoa a arder, que esconde
O fantasma de Deus, sobre o deserto!
E vi também a luz indefinida
Que, nas trevas, se fez, esclarecendo
Meu coração, que voa, além da vida,
O seu peso de lágrimas perdendo.
E aquele grande vento transtornou
Minha existência calma; e dor antiga
Meu rude e frágil corpo trespassou,
Como a chuva uns andrajos de mendiga.
E fui num grande vento; e fui; e vi:
Vi a sombra de Deus. E alvoraçado,
Deitei-me àquela sombra, e, em mim, senti
A terra em flor e o céu todo estrelado.
Teixeira de Pascoaes in As Sombras, 1907


